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Capitalismos

  Bala da arma que matou John Lennon vai a leilão As almas dos políticos já foram vendidas há muito tempo  Bonecos para pedófilos e zoófilos começam a ser produzidos em Amsterdam  São muitas as igrejas e as casas antigas, belíssimas, que já foram substituídas por prédios cinzentos Florestas são destruídas, corpos são consumidos... Sexo ou exploração?? Capitalismos Novo, velho feudalismo Desde os babilônios, a mesma indagação: Até quando?? Haverá um fim para o desprezo humano?? 

Sem dizer uma palavra

 Eu digo que não sou feliz  Com os meus olhos tristes  Que eu tenho medo de tudo, de todos Que eu me sinto desconfortável com a vida  O meu corpo e o meu rosto dizem por mim  Sem eu querer  Dizem que eu sou diferente  ou apenas mais frustrado  Ou mais realista  Minha testa franze Meus pés titubeiam o chão  Meus olhos tateiam ângulos cegos Mas sempre miram nos olhos dos outros apressados Eles fazem por mim  Eu observo e registro mais do que controlo  Os sentimentos que eu sinto por dentro E por fora, eu me afogo na densidade  Na tensão  Nas verdades alheias Mas não dizem tudo sobre mim Porque eu ainda sou feliz  Mesmo carregando certezas tão difíceis Incertezas de um caminho íngreme E qualquer passo em falso, não sei mais  Eu só sei que eles dizem  Os outros reagem Mais com base no que dizem  E não como eu gostaria  E assim, eu sigo  quando eu não digo  E entendem até muito bem  ...

Sofro

  Como se carregasse o mundo nas costas  Se mal posso aguentar o meu próprio peso Suspenso do mundo prático  Vivo de dependência e expectativas próximas  E de frustração e desassossego  Por achar que eu teria a capacidade de mudar tudo Pelo menos, eu não sou muito ambicioso Não penso alto  Mas não há nenhuma lei que proíba sonhar alto E eu sonho  E eu sofro por isso  Por acreditar que é minha responsabilidade Ou que eu deva sempre sofrer pelo sofrimento alheio  Se eu deveria tentar aliviá-lo Ainda mais se forem quatro patas andando nas ruas Com o olhar mais carente Mas a minha covardia é mais forte Meu egocentrismo Minha vergonha Meus muros de timidez e transparência E parece que há pouco o que possa fazer para controlar minhas neuroses Se também têm um fundo de razão  De estar sempre alerta  Luta ou fuga Se eu vivo no meu purgatório Apesar de cometer menos pecados que muitos que vivem em paraísos terrestres E ainda dizem que Deus e...

Eu prefiro

  Ouvir o barulho da chuva lá fora do que a doutrinação diária da tv aqui dentro Eu prefiro sentir o vento frio da noite pela janela sóbria do que ódio e decepção pelo que está acontecendo  Humanidade, como sempre  Eu prefiro acordar mais tarde do que viver assustado ou na inglória de correr contra o tempo Eu prefiro, mas não significa que tenha poder de escolha  E por isso, sinto mais os tambores da guerra do que os batimentos do meu coração, em silêncio  Sinto mais a tristeza e a tensão dos conflitos dos homens, do que a beleza dos seus sentimentos Se algum dia, eu conseguirei subir a minha montanha e aprender a meditar, sem ter mais tantos pensamentos  Se do alto dos meus 35, nesse agora em que escrevo, ainda estou tão abaixo da altura das nuvens brancas, no mesmo nível dos nossos sofrimentos Se é mais uma promessa ou juramento  Talvez seja a mesma esperança 

As férias em que eu não saí de casa

 Publicando novamente uma poesia que acredito ter excluído ou mudado o título e não consegui encontrá-la nos meus escritos mais antigos (~ 2018)... também com alterações (ou melhoramentos) Sobre umas férias, acho que no final dos anos 90 Um verão inteiro preso Dentro de casa Na imensidão da minha timidez Do meu mundo paralelo De imaginação Intenso, mais forte que o próprio dono Sua luz me bastava, eu pensava Quando a sorte era ser só Meu pobre rapaz exageradamente honesto Me viam no meu submarino Apenas os olhos tristes O interior de oxigênio As bolhas de tanto falar E as palavras não se encontravam Vivia dentro d'alma Me acostumei aqui Mal lembro dos detalhes Sei mais sobre as paisagens das minhas lembranças Lembro mais pela intensidade Do que por hábito ou talento Chegava na varanda, via um atlântico azul, escuro, monstruoso, Olhos de fogo, risos debochados O sol incendiava o meu horizonte O céu caía de cansaço Nunca fui de desafios Sempre fui desafinado O meu excesso agrido...

Desatentado ao pudor

  Vida  Apenas uma Depois, nunca mais A minha é cheia de tesão, de imaginação  De amor próprio e reclamação sobre o que vejo no espelho  Quando eu vejo esse ainda jovem rapaz Ainda assim, me aceito Tento conviver com os meus defeitos  E registro quem eu sou desde que me deram uma câmera na mão  E eu perdi o pudor de mostrar o rosto Quando eu mostro o resto do meu corpo  Como veio ao mundo  Sempre cheio de desejos Sem roupas, sem símbolos de ostentação Sem propagandas, apenas uma parte oculta da minha personalidade  E se me pegarem??  E se me exporem sem eu ter concordado??  Bem, não terá sido minha culpa  O atentado ao pudor não será meu Se eu só me mostro para mim e para uns poucos,  loucos como eu, por essa mania de viver

Olhos vermelhos

  De abandono  De história  De velhice  De meiguice De tristeza  Patas longas Dona da rua Muitos anos caninos E ainda procura  E ainda a ajudam  Eu apenas olho e lamento  E me paraliso Queria ajudá-la Queria adotá-la Mas eu estou tão perdido Só consigo sentir pena  Só queria lhe dar uns momentos de alegria  Mas eu os deixo  Por vergonha, medo, melancolia   É o meu egoísmo que sempre fala mais alto E eu sigo em frente  Subindo e descendo morros  Lamentando sobre a própria inutilidade Que talvez a morte não seja tão grave De deixar esse mundo tão cruel e estúpido  Tão indiferente A vizinhança lhe dá ração e água  Pelo menos  Tem poucas almas que sentem compaixão E eu não sou uma delas Porque eu sinto pena  E nojo de mim mesmo  Mas o meu ego é muito resistente E sigo em frente  Me brindando com mais esse altar de vaidade Tão frio quanto aquele pai de "Através de um Espelho"

Via de regra

 Arte e ciência Mas o mesmo desejo humano Sem limites  O mesmo descompasso  O mesmo desencontro que nunca corrige  Por ser incorrigível Inatingível  Insuperável E, assim, o artista e o científico simulam histórias, revoluções... Narrativas hiperbólicas Eventos fantásticos  Querem viver além das galáxias Querem o infinito  Cada um com os seus mitos e fábulas E o artista vive mais de ilusões que juízo E vive, intenso, de estação em estação  Do inferno ao paraíso  Só para voltar no mesmo princípio  Assim como o homem científico Como todo indivíduo  Que persegue a sombra e enxuga o gelo  Só para retornar ao começo do seu ciclo A mesma distração, os mesmos vícios O tempo consumido  Enquanto a vela queima  Via de regra É a vida que teima  Sem desperdícios 

Eles

Eles Estão se empurrando, ao meu redor, Gritando, me chamando, Querem entregar flores pra mim, Eu nem sei quem sou, Sou apenas os meus olhos que olham E vejo eles se empurrando, e não mudam, Eu grito, os empurro Suas rosas de espinhos O meu berro é apenas um sussurro Essa maré insana, Eles não mudam, eu mudo, fecho os meus olhos, Mal os escuto, sua massa de som, De vozes misturadas, que se anulam, Como entrar no metrô de Tóquio, Eu e os meus olhos, que toco, Com as mãos que eu não vejo, Apenas as suas, Que querem me tocar, o coração, Dentro do peito, Do lado esquerdo, Eu canhoto, no outro lado, Sou o espelho virado que olha, A manada vindo em minha direção Pedindo ao céu Que me dê as suas asas de vento E eu sou este vento Que tremula com o frio da realidade, E eu nem sei quem sou Eles também me empurram Esses meus pensamentos Me aprofundo Em seus espinhos Tomo o seu vinho com o meu sangue e ...

A sua alma

A sua alma É onde você não existe, Dentro de si, É onde você não é um compromisso, Não é um destino, Um vazio todo seu, Como um portal, Um olhar, Com as nuvens do céu azul, Não há Combate Mortal, Ou diálogo, Uma despersonalização, Um coágulo de eternidade, Somos os únicos eucariotas de alma, O Nada separado de Tudo o que somos, Noutros seres: A alma mistura com os instintos, As cores não têm definição, O nada espalhado em meio ao tudo, Núcleo sem fronteiras, Consciência sem auto, Se chamando natureza, Sem saber a realidade, Do que é "ter" uma alma..

A vida e outras

A vida Só é curta Quando é vista à distância De perto Sempre intensa Não existe o tempo Separado da sensação Só existe o sentimento De esperança Se o fim dura um mês Ou uma vertigem longa A vida foi imensa A pressão que é existir por dentro E sentir o mundo todo de fora Quando o começo começou O tempo explodiu em si mesmo Se chamando espaço O nada negou a si mesmo E viu o que já não era Um vazio perfeito O começo começou Quando não havia começo A existência sempre tem um preço Nasceu da morte que não morreu Do nada Algo não concordou Em suas entranhas O absoluto errou o caminho De não ter caminho E quando caminhou Viu sozinho Um horizonte na sombra Saindo de si mesmo Penetrante olhar da escuridão Primária dimensão As cores ainda no berço O som aprendendo a andar Todo poeta é um aborto Nasceu morto E esqueceu o que é o morrer E se vive À espreita da morte E na luz da vida Caminho das ...

Um dia

Cabe uma vida: de alegrias e tristezas, de chegadas e partidas. Um dia, cabe o barulho e o silêncio, de escutar o tempo. Notícias sempre tristes  São/as rodas de exploração. Mas a mesma melancolia. Se a alma acorda ou se permanece em negação. Um dia, depois uma tarde e uma noite, uma consolação. Tão perto das estrelas que parecem eternas, os pés ainda sentem o chão. Um dia e o mesmo vento de hortelã. O tempo em cada segundo; remédio que não cura, se vive e se engana,   Um dia, e mais uma vela se acende na escuridão do amanhã. O olhar se concentra na vela, a reza é o divã.  

O melancólico ama a vida e outras

O melancólico ama a vida  Ele tem uma relação muito íntima com ela Casou e jurou  Na saúde, na doença Na riqueza, na pobreza Toda sua fidelidade A tem na cama, na cozinha Nos passos, nos altos dos morros  De suas poucas e profundas certezas Selou com sangue Tirou sua virgindade Sorve sua verdade Vezes sem entendê-la Apenas ama É paixão  A ignorância é afastar a vida Inventa-la, dar-lhe múltiplos nomes,  compromissos, agendas Dividi-la, esquecida Vive sem vivê-la Em sua pureza  Em sua aridez Em sua força A pura chama  Que ilumina o caminho  De escuridão  Segurando o seu fogo entre os dedos Não quer correr, quer viver sem precisar dos pés  Quer contemplar sem ter medo Sem ser apressado pelo tempo  A sua fé é tão pura quanto o seu desejo Se segura mas cede ao vento, do silêncio Não tem fronteiras para a imensidão Respira profundo, transpira  Lhe acompanha onde quer que vá É uma obsessão  A...

Eu sou politeísta e outra pluralidade

Eu sou politeísta Nasci prometido a um deus Mas eu não sou monogâmico E tampouco ateu  Me atenho a minha constelação de deuses O meu panteão de estrelas Sou devoto da mãe Lua Deusa da escuridão e dos gemidos Respeito o meu pai Sol Deus másculo penetrando os filhos Chuva dourada que nos cega de ilusão,  de sentido Bem vinda qualquer distração  que nos faça crer no destino O ar em sua alvura De tão branca criatura  Que se vê por ele Se vive por ele    Deus do calor  Da guerra Do sexo Deusa do amor Talvez ele e ela, anexos Um hermafrodita  Deus dos átomos E a minha deusa favorita Das bolhas de universo  A minha que eu beijo o reflexo Confesso  aos versos que não ouvi Os leio em livros antigos Relíquias Em pedaços de frases da bíblia Descendo de gregos e romanos pervertidos Mas tenho ao menos  Do cristianismo A sua pureza, sem jesus cristo sofrendo na cruz, no altar da igreja, Que dizem ter apenas os mais santos E aquela que todos rouba...

Eu quero conversar com os meus mortos

Eu quero conversar com os meus mortos Em minhas rezas sem deus Eles e eu, Apenas com as estrelas, e com a noite esmagadora, Quero conversar com as minhas E com as suas lembranças, Com as suas expressões  mais reveladoras, De quem se perdeu Na distância A existência é avassaladora, Me faço à empatia projetado Me coloco em seus lugares, Busco por suas almas/ alegrias Mas não encontro os seus lares, Vejo sombras na luz do dia Vultos na escuridão Ventando os seus pesares Ecos de um mundo ultrapassado São as vozes dos meus amados A morte é uma solidão, Eu também estou, em último lugar Enterrado, Curioso com uma caixa  Como um gato de Pandora  arranhado,  Minha noiva cadáver, Tristeza vestida de Saudade Parece nua Mas é sua natureza que arde, Vamos às cerimônias de mãos dadas Fazemos contatos com os mortos Mas é sempre um monólogo Eu falo e respondo por eles ''Volte logo'', Olhando ansioso para o meu relógio escurecido Que eu só cons...

O meu deus é o Tempo

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fonte: https://static.dicionariodesimbolos.com.br/upload/6e/27/ampulheta-4_xl.jpeg Sou o filho de sua pressa Sou um letárgico rebelde Que reza Com as mãos trocadas Cheias de esperança Com os pés cruzados Sigo a sua luz Abro os meus olhos Quando abro os teus Me deu uma janela Onde eu possa sonhar E pensar como as nuvens Mas é impossível não ter paixão pelo próprio reflexo Deus não tem rosto ou corpo Nasceu de uma virgem realidade Ele é onipotente, onisciente, onipresente Ele é Ela O espectro de cores é o seu panteão Nos dá a sua ilusão de eternidade Nós, que somos os seus anjos caídos Nos dá a sua verdade Um espelho e uma máscara Eu escolhi a ti Como o meu único Deus

Lágrimas de chuva e duas alegrias curtas e profundas

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fonte: http://c7nema.net/galeria/albums/userpics/10001/roy-batty-600x338.jpg Lágrimas de chuva E a noite longa E turva E o suor do corpo Do dia E as dores silenciosas Da alma Se misturam à sua  mais pura alegria E os pingos nos olhos De filosofia São as lágrimas de chuva Que eu bebo, na palma O liquor de melancolia Amanhã cedo O sol brilhará no chão seco E eu sorrirei, enquanto escrevo  poesia Tentativa de homenagem à lindíssima música [ou trecho] do filme [e o filme] Blade Runner, de 1982 [especialmente] Pra rainha de minha alma Eu sou o seu espaço  O corpo do meu tempo O calor do meu carinho  O território dos seus pelos  A sua ilha de tranquilidade  O seu oásis no deserto em que estamos, que nos espera  À tempestade de areia, que é a humanidade  As cores do início do dia Do único dia  De mais um domingo O doce ventinho  Seu barulhinho Contornando o meu corpo  Minha alma sempre feliz E pedindo Momento, tranquilidade Como a...

Minha rainha et more

Minha rainha et more Minha rainha É a minha vizinha, Realeza, Negra, De sorriso mais doce do mundo, De alma tranquila, Que me dá bons dias e boas tardes, E eu respondo com timidez Fila Eu não consigo ver o final desta fila, mais pra frente, mas eu vejo que os meus pais estão mais adiantados, que eu não vejo mais uma tia, que onde eles estão eu chegarei em breve, e quando eu chegar eles já terão partido, e eu os buscarei no meu passado, e me agarrarei à esperança de vencer o tempo, ou de ter um dragão, suas esferas à minha espera, e fazer apenas um pedido... 669 Minha natureza é um deboche que eu nem sei. Quase lá, e sou o próprio demônio. Mas não sou filho de deus, não caí do paraíso como fruto podre. Penso como predador mas sou um anjo. Sou pensador mas só do presente. O futuro eu só sei do meu fim; o passado está em mim, como os meus pedaços mortos, do meu tempo de vida. Quase um triplo perfeito. Se é a dupla de 6 que é o meu mal?? Uma mutação, como a própria existência. Apocalips...